A Roda Viva do Chico...

Não existe nada mais aterrorizante do que ouvir seu marido dizendo aquela frase: “você está se comportando igualzinho à sua mãe”. Bem, queridos leitores, acho que vocês já entenderam que hoje esta coluna está um pouco densa, não? É que essa semana, duas conversas internéticas me levaram para a mesma reflexão. Uma foi pelo Twitter com uma amiga (que ganhei quase sem querer quando ela se casou com um ótimo amigo!). A outra com um velho amigo dos tempos da escola. Em ambas, divagamos sobre como a vida, relacionamento e comportamento de nossos pais podem influenciar na nossa própria vida, relacionamento e comportamento com nossos cônjuges. É batata!

Acontece que muitas vezes o que vemos em casa não é exatamente um bom exemplo. Famílias desestruturadas e sem prumo são coisa cada vez mais comum neste mundo e, infelizmente, muitas se propagam na velocidade da luz. Filhos criados sem o ambiente adequado acabam se tornando péssimos homens, maridos, pais – ou mulheres, esposas, mães. Uma roda viva que parece (prestem bem atenção, apenas parece) não ter como ser interrompida, no processo que multiplica relacionamentos que fazem muito mal.

Acontece também que é possível, sim, romper esse fluxo. Essas duas pessoas queridas, por exemplo, cada um com sua história, seus amores e suas vidas, conseguiram pegar o limão e fazer uma limonada, se tornando grandes pessoas, dispostas a constituírem famílias mais equilibradas, onde o amor é um valor absoluto, com a missão de interromper um ciclo de dores para criar relações saudáveis e filhos amados e felizes.

Ninguém neste mundo é perfeito e não se espera, é claro, fazer uma combinação perfeita ao ponto de tudo dar certo. Mas quando a gente casa, seria importante que alguém nos dissesse que é possível, sim, não repetir os mesmos erros de nossos pais – e como isso pode ajudar a gente a ser mais feliz… Mas atenção: mesmo quando nossa família parece com aquelas de propaganda da margarina, sempre haverá algo que é melhor evitar e deixar para trás no nosso quarto de solteira/o, atentai bem!

Aprender com o que não foi bom na nossa história é uma das coisas mais bonitas que pode acontecer na vida de alguém. Como eu disse à minha amiga, sair da desordem e buscar/encontrar equilíbrio e amor é uma conquista que merece ser celebrada! Agora, claro, não adianta achar que é mágica: como tudo em um casamento, muito mais do que boa vontade, repetir apenas o que de bom nossa família nos ensinou exige esforço e dedicação – no meu caso, acredito que tem o dedo de Deus agindo também quando a gente se dispõe.

E você? O que vai querer repetir?

P.S. 1 Nesse domingo, dia dos pais, embarco para uma viagem especial de 7 dias em Madri, onde participo da Jornada Mundial da Juventude, com um encontro muito especial com o Papa Bento 16. Viajo ao lado da melhor companhia desta vida, Marido, que teimou tanto, mas tanto, que acabou me empurrando para viver este sonho, que guardo comigo há 12 anos.

P.S. 2 Casar com alguém que te leva para estes deliciosos abismos é mesmo uma grande sorte! E agradeço a Deus por isso, desejando que você também tenha encontrado uma pessoa assim pra chamar de sua. Até a volta!

Dia desses, no casamento de amigos muito especiais, Raquel e Joacir, fui abordada pelo presidente da celebração, Padre Virgílio, com um papelzinho na mão. “Veja só, caiu do vestido da noiva, acho que são os nomes das solteiras…”, me disse, enquanto me entregava a lista com uma dúzia de nomes impressos, para que eu entregasse à noiva. Comecei a rir da situação, corri até Raquel, que também deu uma risada quando me viu chegar para devolvê-la o tesouro.

O zum zum zum que gerou o “abandono” da lista das solteiras me lembrou a minha própria, que foi metade da diversão da minha festa de casamento. Todo mundo queria ver, procurar seu nome, tirar foto. Quem era solteira e não estava na lista protestava, quem estava reclama de ser taxada de encalhada, quem não precisava estar dava risada – e todo deu risada com o adereço. Chamou mais atenção que qualquer coisa na minha produção, nunca vi uma coisa daquelas.

Mas, convenhamos, eu caprichei no carinho e no cuidado. Fiz tudo de caso pensado. Achei uma camiseta promocional de uma feira de noivas em que eu tinha trabalhado, recortei um pedaço onde tinha o desenho de um casal de noivinhos, providenciei uma boa caneta e sentei com minha mãe e minha irmã/demoiselle para lembrar do nome de todo mundo. Caprichei na letrinha pra ficar bem bonito, conferi a grafia correta pra não borrar nem pagar mico e mandei brasa. Com agulha e linha branca, costurei a mão o pedaço do tecido na barra do vestido, com o cuidado de colocá-la numa posição tal que, ao levantar a barra, ela ficasse do lado certo. Voilá!

Ao chegar na festa, depois das fotos tradicionais, de repente, lembrei daquele detalhe especial e levantei o vestido pra mostrar para as minhas melhores amigas. Pronto, não parei mais de repetir o gesto o resto da festa. E haja foto!

Dizem que, assim como o buquê, a lista dá sorte para as amigas solteiras arranjarem um bom marido. Não sou supersticiosa, mas acho que a magia deu certo porque um monte delas desenrolou depois disso. Uma delas até contou ao namorado, que arrumou pouco depois, que a responsável pelo encontro romântico deles dois era eu, que fui apresentada ao rapaz no meio de um bloco de carnaval como “a dona do vestido de casamento com meu nome na barra”. E tem gente que me culpa até hoje por não ter conseguido mudar de status. Ou seja, a brincadeira ainda rende muita diversão.

Desta experiência, ficou o desejo de que todas as noivas façam a mesma coisa, nem que seja pra transmitir pras amigas a energia boa de quem está casamento feliz. Pode ter certeza que aqueles nominhos vão se sentir muito especiais… Você já pensou nesse detalhe?

A maquiagem de Narda Estrela

A maquiagem de Narda Estrela

Ufa!

Uma semana atrasada, consigo um tempinho pra parar e escrever a coluna. É que eu e a equipe do NoivasPB.com estávamos numa correria com os preparativos da grande festa de domingo, dia 24: o I Workshop Destaque Noivas, um ponto de encontro entre mais de 150 noivas já inscritas e 22 profissionais, que vão expor seus produtos e serviços. No evento também vamos lançar a segunda edição da revista Destaque Noivas, que mais uma vez eu tive o prazer de cuidar da parte jornalística. Ficamos, portanto, sem tempo pra pensar em mais nada!

Mas é sempre um prazer imenso trabalhar em eventos para noivas, como já aconteceu com nossa equipe nas três edições do Espaço Noivas e Festas. Desta vez, embarquei na idéia de Edson Ferreira, diretor executivo do site e da revista, que reuniu parceiros para promover uma tarde especial para você, que está ao nosso lado todos os dias. E embarquei porque acredito muito que esse tipo de evento precisa acontecer em João Pessoa, onde centenas de noivas continuam cheias de dúvidas e com pouco tempo para um contato pessoal mais próximo com os profissionais que ela gostaria de contratar. Neste domingo, portanto, eles estarão prontos para te receber e conversar sobre como você sonha este grande dia.

A programação está massa: tem apresentação musical, degustação das delicinhas da Clara Costa e da Doce Sabor, os lindos vestidos da Utraje, as lembranças originais da Criarts, palestras com o fotógrafo Gil Monteiro, a maquiadora Narda Estrela e a especialista em etiqueta Jaira Lemos… Enfim, um montão de coisas lindas para você ver de perto, negociar e, quem sabe sair de lá com contrato assinado. E, claro, as revista, que você pode receber gratuitamente no evento.

Cupcakes da Clara Costa

O Workshop vai acontecer no Centro de Convenções do Hotel Caiçara, das 16h às 22h e para participar basta fazer a inscrição gratuitamente no site do evento. E, claro, tentar arrastar o noivo com você. Se ele não topar, não se preocupe: haverá um monte de outras noivinhas como você pra trocar figurinhas no Lounge do Tricot. Eu também estarei lá fazendo a cobertura pro NoivasPB.com e ajudando as equipes de jornalismo que forem cobrir o evento. Quem sabe a gente não se esbarra por lá?

P.S. A coluna de Ricardo Castro, a RCVips, já falou do Workshop aqui.

Meninas e meninos que vão casar, preparem-se para a pior tarefa dos preparativos para o casamento: reduzir a quantidade de coisas que vão sair da casa da sua mãe para a sua casinha nova. A menos que vocês já morem juntos ou que você esteja se mudando pra uma casa tão grande quanto a da sua mãe (você tem sorte, hein?), será necessário reduzir o tamanho da sua “mala” hoje, sob pena de simplesmente ficar com caixas de troços emperrando a circulação em algum lugar do novo lar. Acreditem em mim e comecem agora!

Eu fiz os cálculos com bastante antecedência, graças a Deus, e descobri que precisava reduzir meus pertences pela metade antes de subir ao altar. Das quatro portas do armário que eu usava no quarto de solteira, a meta era reduzir para apenas duas, o equivalente ao espaço que me caberia no armário de casada. Foi uma luta de meses, mas consegui. Só que eu esqueci os livros… Resultado: minha mãe teve que ameaçar doar tudo (meses depois do casamento) para que eu tomasse vergonha na cara e colocasse tudo em uma caixa, que até hoje não foi aberta. Eu já falei que foi uma luta?

E olha que eu decidi deixar uma parte dos velhos pertences em casa… Sob protestos da minha mãe, que pretendia usar todo o espaço para coisas que ela mesma já não sabia onde guardar, avisei que “meia porta” de velho armário continuaria sendo meu, uma herança da qual não abriria mão. Lá ficaram minhas velhas agendas, diários, cartas e cartões da adolescência, camisas de farda com as assinaturas dos amigos da época, o jornal com a lista do vestibular que eu passei… Enfim, tudo que eu fui antes de ser adulta continuou lá. Mesmo assim, não foi nada fácil levar a “mala” de adulta para o novo endereço.

Quem acompanha este blog sabe do processo emocional que foi a minha mudança. Agora imaginem que, paralelo ao sentimento aparentemente contraditório que a gente vive, ainda tem que lidar com os problemas práticos. Por isso, comece reduzindo suas roupas e sapatos agora. Faça uma grande faxina, doe o que não serve mais pra você, jogue fora o que não serve mais para ninguém. Deixe guardado apenas o que você usou no último ano e já terá um bom parâmetro. Vá reorganizando tudo ainda no armário de solteiro/a, mas já planejando como tudo vai caber no de casado/a. Faça a mesma coisa com os objetos pessoais e com os itens de higiene – sua coleção de cremes e maquiagem vão caber em cima da pia do banheiro novo ou você vai ter que arrumar espaço em outro lugar para eles?

Aproveite pra ir fazendo uma faxina interior também. Afinal, você vai começar uma vida nova e não vai querer levar lembranças ruins ou incômodas do que vai ficar para trás, né? Arregace as mangas e mãos à obra. A convivência na casa nova agradece!

P.S. Veja mais dicas no site da Gabrieli Chamas, que também casou, mas continua dando dicas para quem está chegando na vida nova, como eu.

P.S.2 Dicas valiosas para manter o armário (de solteira ou de casada) organizado no site Guia-me. Vale dar uma olhada.

"Deixa eu dizer que te amo..." (foto de Francisco França)

Ontem eu ouvi uma música tão linda que me fez parar. É Marry Me, do Train, que hoje toca o dia todo no meu “antisocializator tabajara” (conhecido popularmente como fone de ouvido). E é uma pena que ela chegou na minha vida depois que passou o dia dos namorados… Mas chegou bem numa semana em que pensei e pesquisei muito sobre músicas para dançar a valsa – ou a primeira dança, como a gente chama hoje em dia – no começo da festa de casamento. Não teve jeito de não pensar o óbvio: “essa música é perfeita para uma primeira dança”.

Bom, eu já havia desistido de escrever uma matéria sobre o tema por uma razão simples: me dei conta de que a escolha da música para a primeira dança é algo tão pessoal e íntimo e as possibilidades são tão infinitas que seria uma bobagem escrever jornalisticamente a respeito. A primeira vez que um casal que acabou de dizer sim dança juntinho é um momento de alegria tão imenso que a música certa só pode seguir uma regra: tem que ser aquela que, onde quer que você esteja neste mundo, em qualquer tempo que seja, você escute e lembre que foi ela que embalou seus primeiros momentos na vida nova. Ou seja, tem que ser do coração do casal!

Eu e Marido escolhemos uma música bobinha, mas que nos lembrava o tempo em que nos conhecemos: Amor I Love You, da Marisa Monte. Ela conta até hoje a história do nosso próprio amor, que nasceu assim, quase pedido pra ser amor. Dançamos sozinhos de maneira quase improvisada no pequeno salão da nossa festa e cantamos um pro outro do jeito mais bobo que um casal pode fazer na frente de um monte de gente. Mas o amor é mesmo tão bobo, né? E agora a música não apenas nos lembra do nosso início, como também do nosso re-início lindo, lindo, lindo.

Existem listas e listas e listas de músicas que são lindas para se dançar a valsa. Uma das minhas preferidas é From This Moment on, da Shania Twain, outra mega óbvia. Mas sugestões não faltam. E ainda tem quem faça uma surpresa aos convidados aprendendo uma coreografia bacana – e nem só de The time of my life vivem esses casais dançarinos, existem outras opções, como esta, por exemplo. E ainda tem opções bem divertidas como You’re the one that I want, que pode render um show a parte para os convidados.

A menos que vocês sejam como o Michael e a Kimberly, de O Casamento do Meu Melhor Amigo, que tiveram que ganhar The way you look tonight da Julienne porque não tinham sua própria música, é óbvio que deve haver uma trilha sonora própria do namoro de vocês. Escolham essa musiquinha com carinho pra que esse momento seja tão mágico quanto merece. E não se preocupem se as pessoas vão achar culto ou brega demais. Afinal, a primeira dança é de quem mesmo?

P.S.1 Enfim, todo isso aconteceu também no dia em que resolvi fazer uma grande faxina do armário de roupas (o que me provocou uma tremenda crise alérgica, mas também uma nostalgia danada). E quem foi que acabou saindo da caixa pra tomar sol? Meu branco e lindo vestido de noiva. Haja lembrança, né?

P.S.2 Não entendeu a letra de Marry Me? Vê aqui.

P.S.3 Quem vai aproveitar a noite de São João pra treinar, levanta a mão!

aline

Sobre ausências e demoras

Eu fiquei 45 dias sem computador em casa. Isso mesmo: 45 dias offline quando estava fora do escritório onde funciona a ONG em que eu trabalho. Enfim, nesta era que se passou entre meu último post e esta tarde, muita coisa aconteceu. Fiquei no meio do caminho sem poder usar os acontecimentos que tinham alguma relação com casamento e agora é tarde demais – para quem costuma ler as matérias do NoivasPB, também percebeu que faz um tempo que não pinta coisa nova… Sorry a todo mundo que gosta deste espaço.

Mas aí a história da ausência desta que vos fala neste espaço virtual juntou-se às queixas das amigas solteiras neste período pré dia dos namorados, o que me fez lembrar tudo que eu passei até (re)encontrar Marido. Foram 25 anos de vida, 13 deles de beijo na boca e relacionamentos sem futuro e uma longa espera que eu achava que nunca terminaria: havia um príncipe encantado no fim do túnel?

Ao longo de todos estes anos que se passaram eu experimentei tantas e tantas táticas que nem consigo mais lembrar de todas. Entrei em namoros sérios e em paixões passageiras, em histórias com tudo pra dar certo e com outras que já avisavam que não poderiam dar, me encantei com olhos que me prometeram o mundo e com outros que nem precisavam prometer nada. Enfim, quebrei a cara mil vezes para aprender uma coisa muito séria: eu estava procurando a coisa errada.

É o que eu tento dizer a todas as minhas amigas próximas que estão nesta luta: parece que quando a gente desiste de procurar um perfil específico, como quem procura um vestido num shopping, a coisa acontece. É besteira dizer pra vencer a ansiedade – eu nunca venci a minha! – por achar a pessoa certa, o que serve para moças e rapazes. Mas esse é o segredo: a ansiedade só atrapalha tudo.

Achar alguém para casar é uma mistura de sorte com olhar apurado. Eu mesma já tinha deixado Marido passar pelo menos três vezes na minha vida – ainda bem que ele é muito teimoso. Resolvi dar uma chance a uma história que, na minha racionalidade, tinha tudo pra ser como as outras e dar em nada. Que bobagem a minha. E que bom que percebo isso às vésperas do nosso 5º dia dos namorados juntos.

O dia dos namorados não tem muita importância para Marido e eu – a gente curte mesmo é comemorar aniversário de namoro, em novembro.  Mas houve um tempo em que tudo que eu queria era ter um namoradinho pra passar este dia juntinho. Pra você ver como as coisas mudam e a gente descobre outros jeitos de ser feliz.  Eu não posso mais colocar seu nome na barra do meu vestido pra dar sorte e você encontrar sua pessoa da vida toda, mas posso desejar que você perceba, como eu percebi, que esse tal amor da vida toda é muito mais simples do que a gente costuma acreditar. E pode estar bem aí, juntinho de você – que está fazendo esta demora ser bem maior do que precisa.

Feliz dia dos namorados, não importa se seu namorado é seu marido, noivo, namorado mesmo, rolo, ainda desconhecido ou até desnecessário! Feliz você – independente das esperas!

aline

2 anos

25 de abril de 2009. Um dia de sol perfeito. 16h40, a chuva cai. Lá dentro do salão, não me abalo. Havia uma alegria tão tranquila dentro de mim que nem isso me tirou do prumo. Só me atrasou. 15 minutos. Na porta da igreja, vejo um céu azul acinzentado que nem de longe me pareceu triste. Foi o fim de tarde chuvoso mais lindo que já vi na vida.

E às 17h30, braços dados com o homem mais nervoso da igreja, ao ouvir a doce voz de Maria Juliana, entrei com o pé direito no lindo templo de São Pedro e São Paulo – o santo da chuva e o santo comunicador da boa nova (isso sim é ironia, Alanis Morissete!). Lotada de tantas carinhas queridas, não vi ninguém. Meus olhos seguiam em ângulo reto na direção do altar: era o rapaz de gravata prateada que eles procuravam, com um olhar de felicidade totalmente novo.

Diante do abraço apaixonado de meu pai, me desejando felicidade ao me entregar a (até então) futuro marido, percebi que caminhei a vida toda para viver aquilo. Tudo mais era pretérito mais que perfeito. “Antes de você chegar, era tudo saudade…” – ah, a voz de Maria Juliana…

E o depois? Cada palavra do meu agora ainda mais querido Padre Ivônio caiu com perfeição num coração que parecia já ter estourado a cota de felicidade de um ano em apenas cinco minutos. Cada detalhe do ritual, cada olhar que nos lançava, me fazia ter certeza: eu estava sendo abundantemente abençoada.

Foi perfeito. Tão lindo, mas tão lindo que até meus sonhos se surpreenderam. Uma benção completa, uma cerimônia em que eu senti com plenitude a presença de Deus realmente nos tornando um. E uma emoção que de tão indescritível, parece às vezes que foi apenas um sonho. De repente, no meio do dia, me dou conta: “não é que foi verdade?”

Ao restrito grupo de amigos que estiveram lá, não tenho palavras para descrever, mas tento: obrigada!

Aos queridos que não estavam lá, mas torceram e ficaram felizes com nossa alegria: obrigada!

A Deus, que desviou tão radicalmente meu caminho para que ele se encontrasse com o de Michel: minha vida. Só com ela posso retribuir o que recebi naquele fim de tarde chuvoso que transformou minha história.

P.S. Esse post foi escrito no dia 7 de maio de 2009, inebriada pela mesma alegria de hoje, mesmo tendo passado dois anos desde aquele 25 de abril que transformou minha vida.

A Marido: obrigada! Por não ter nunca desistido do seu amor por mim, mesmo que tantas vezes eu tenha merecido.

A você, que lê estas memórias: obrigada! É por cada um/a de vocês que, a cada 15 dias, eu sou obrigada a lembrar desta história fantástica.

aline

Vocação pra ser família

Um dos melhores amigos de Marido atualmente é um seminarista que será ordenado ano que vem, quando terá apenas 26 anos. Sempre nos nossos papos rola, em algum momento, uma referência aos preparativos para este grande dia, o da ordenação. E é engraçado perceber que o rapaz aguarda e sonha e prepara este dia igualzinho ao que acontece com uma noiva: a ordenação não é nada diferente de um casamento. Será o dia em que, diante de Deus e dos convidados, ele fará votos de fidelidade e amor àquela missão, a sua vocação. E ele sabe que aquela aliança será eterna.

Mas, ao contrário do que acontece com quem resolve casar, tem sempre alguém pra perguntar “você tem certeza?”. Ele mesmo acha graça e já me confidenciou que às vezes, sim, tem dúvidas, mas que sabe que isso é normal diante de um compromisso tão fabuloso e perene. Que, mesmo assim, segue se preparando: estudando teologia, mas também observando as pessoas e preparando o espírito para os desafios do pastoreio.

Essa semana fiquei me perguntando por que é que ninguém pergunta aos noivos se eles têm certeza de que querem abraçar o casamento, assim como fazem com os seminaristas. Talvez se tanta gente fizesse a mesma pergunta, muitos casais tivessem a oportunidade de rever seus conceitos e pensar melhor no assunto. Afinal, casamento também requer vocação, preparação do espírito e alguma dose de conhecimento científico. Talvez se fosse obrigatório estudar oito anos antes de dizer sim pro grande amor da sua vida, as pessoas não entrassem em casamentos furadíssimos, como eu vejo por aí.

Ter vocação para casar é muito mais do que desejar viver ao lado de alguém pro resto da vida. É também, de vez em quando, lembrar das palavras de São Paulo aos Colossenses: “suportai-vos uns aos outros e revesti-vos no laço da perfeição, que é o amor”. Essa lição extrapola qualquer crença, é uma filosofia de vida que tento levar para cada um desses meus mais de 700 dias de casada. É um exercício diário de desprendimento e busca pelo equilíbrio.

Se mais gente encarasse casamento com a mesma seriedade com que um jovem decide entrar no seminário para se tornar padre, acho que as famílias estariam um pouco mais equilibradas e haveria menos gente infeliz neste mundo. Afinal, quem está em paz com sua vocação está também disposto a encarar as durezas que cercam as alegrias que ela nos traz.

aline

De princesa a gata borralheira

Virou rotina. Todas as minhas amigas que casaram recentemente e que, como eu, estão desbravando a vida nova, dizem em uníssono: odeio ser dona de casa! As queixas sobre o trabalho que dá manter uma casa minimamente no lugar e as mais diversas dificuldades para ter um trabalhador doméstico ajudando nesta tarefa estão invariavelmente nas nossas conversas quando o assunto é casamento. Afinal de contas, rapadura é doce, mas não é mole, não.

Ser dona da minha própria casa tem sido umas das melhores experiências de todos os tempos na minha vida. E, mesmo contando com o Marido “parceiraço” neste setor, eu faço coro com minhas amigas e também acho que as tarefas domésticas são mesmo a pior parte da brincadeira. Principalmente para quem, como eu, gosta das coisas (como eu disse antes) minimamente no lugar. Porque não existe sensação pior do que chegar numa casa bagunçada depois de um dia de trabalho – parece que a confusão mental se espelha no ambiente.

Eu a-d-o-r-o sentir o cheiro de casa limpa. Dou conta de tudo: das janelas que estão empoeiradas, do revestimento da cozinha que precisa de antigordurante, da rotina de limpeza do exaustor, do microondas e da geladeira, do tempo de reorganizar as panelas no armário. Mas não dou conta de fazer tudo isso por duas razões: o tempo é curto e a paciência menor ainda. Mesmo dividindo a tarefa com Marido, acabamos ficando apenas no “feijão com arroz” mesmo e empurrando com a barriga as tarefas mais chatinhas.

Por isso eu sempre aviso às amigas que ainda vão casar que, antes de tudo, façam um trato com o noivo sobre como será a divisão das tarefas domésticas: quem cuida do lixo, quem bota roupa na máquina, quem lava os banheiros, quem varre e passa pano, quem se responsabiliza por tirar o pó dos móveis e, principalmente, o cuidado mútuo com os próprios pertences, que acabam se espalhando pela casa alguma hora.

Claro que quem pode pagar e acha uma boa empregada (eu estaria satisfeita com uma faxina semanal!), tem felicidade garantida (apesar de algumas dores de cabeça que ser patroa traz). Quem não pode ou não acha, no entanto (grupo no qual me incluo com muita tristeza), tem que montar uma estratégia para não morar no forno do lixo, mas também não arrancar os cabelos da cabeça tentando manter a casa linda e limpa nos horários de folga. E, se não tem jeito, providencie um bom set list pro seu som e mãos à obra.

Boa sorte, queridos e queridas! Nem tudo são flores…

Quem nunca ouviu aquele ditado que diz “quando o dinheiro sai pela porta, o amor sai pela janela”, que atire a primeira pedra. E quem nunca desacreditou desta sentença tão pouco romântica, ok, pode atirar a próxima. E quem, depois de casar, ainda não teve a oportunidade de confirmar que o fator grana tem um peso enorme no (in)sucesso cotidiano de um casal, acredite: morro de inveja de você.

Por mais delicado que este assunto possa parecer, ele deve estar na pauta de conversas de um casal que pretende juntar as escovas de dentes. Afinal, além de decidir o regime de bens que vocês adotarão quando assinarem o contrato do casamento civil (sim, é apenas um contrato para a legislação brasileira), este tema virá à tona também na hora crucial de começar a pagar as contas da casa nova.

Uma coisa é certa: pessoas que têm jeitos diferentes de lidar com dinheiro terão problemas mais cedo ou mais tarde. Eu e Marido estamos, a cada dia, buscando um meio termo para nossos relacionamentos absolutamente distintos com o assunto. E nem vou aqui dizer quem é gastador e quem é poupador, mas encontrar uma solução nas horas mais complicadas exige muita conversa e bom senso de ambos os lados para que as duas características convivam de maneira minimamente harmoniosa. Sovinas e esbanjadores certamente terão que se ajustar – sob o risco do casamento ir por água abaixo.

Outra coisa complicada é quando os focos de investimento são muito diferentes. É importante saber se a grana extra será investida naquela mesa de jantar nova ou numa viagem a dois ou na troca do carro. E essa decisão precisa ser tomada pelos dois, o que nem sempre é uma discussão fácil. Mas, como em quase todos os outros problemas que a vida a dois traz, nada que uma boa conversa e (repito!) bom senso não resolvam.

Para quem está se preparando para dar esse passo tão importante na vida, aconselho: comecem a conversar já! Falem sobre como dividirão as despesas, quais serão as prioridades e, claro, lembrem-se que depois de casar o dinheiro vai encurtar – a menos que um dos dois receba uma promoção ou um aumento pomposo no salário bem na virada da vida de solteiro para casado. Afinal, muitas contas vão aparecer no orçamento individual (no caso de quem mora com os pais) e até aumentar (no caso de quem já mora sozinho).

Mas tenha paciência, bom humor e criatividade que tudo dá certo. Palavra de quem supera, a cada dia, esse desafio.

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